Com 223 cv, autonomia elétrica de até 100 km e design inspirado em dragões, o Song Pro divide opiniões entre custo-benefício e preço de entrada.
Quando a BYD começou a ganhar terreno no Brasil, muita gente esperava que o fenômeno se limitaria a carros pequenos e baratos, como o Dolphin Mini. O que o mercado não previa com tanta clareza era o crescimento acelerado dos modelos maiores da marca chinesa, especialmente os SUVs híbridos plug-in. O BYD Song Pro 2026 está no centro desse movimento. Posicionado na faixa de R$ 189.800 nas versões disponíveis no Brasil, ele compete diretamente com nomes tradicionais como o GWM Haval H6, o Toyota Corolla Cross Hybrid e o Jeep Compass e-Hybrid, mas chega com um argumento técnico que poucos rivais conseguem igualar no mesmo nível de preço: autonomia elétrica de até 100 km no modo puramente elétrico, segundo dados do Webmotors. Para quem usa o carro principalmente na cidade, isso significa a possibilidade de percorrer semanas inteiras sem tocar em combustível. Mas aí vem a dúvida que mais aparece nos grupos de compradores: o Song Pro realmente entrega o que promete no dia a dia brasileiro?
O que é e como funciona o sistema híbrido plug-in do Song Pro
O BYD Song Pro 2026 utiliza o sistema DM-i da marca, sigla para Dual Mode Intelligent, que é a plataforma de híbridos plug-in desenvolvida pela própria BYD para priorizar a eficiência elétrica. Na prática, o veículo funciona com dois modos principais: elétrico puro e híbrido. No modo elétrico, o carro roda exclusivamente com os motores elétricos, sem acionar o motor a combustão. No modo híbrido, o motor 1.5 a gasolina entra em cena para estender o alcance ou auxiliar em situações de maior demanda, como subidas longas ou aceleração mais intensa.
A versão GL do Song Pro 2026 traz motor a combustão de 1.5 de 98 cv e motor elétrico dianteiro de 197 cv, alimentado por bateria de 12,9 kWh, com autonomia elétrica de até 49 km, e potência combinada de 223 cv e 40,8 kgfm de torque. Já a versão GS usa uma bateria maior, de 18,3 kWh, que eleva a autonomia elétrica para até 68 km e a potência combinada para 235 cv e 43 kgfm, conforme dados do Webmotors. A transmissão é automática do tipo CVT em ambos os casos.
O ponto que mais gera confusão na hora da compra é sobre os 100 km de autonomia divulgados em materiais publicitários. Essa cifra aparece no Mercado Livre e em outros canais de comunicação da BYD, mas os dados técnicos do Webmotors e da Mobiauto apontam para 49 km na versão GL e 68 km na GS, que são as versões comercializadas no Brasil. A diferença pode estar em metodologias de medição distintas ou em versões específicas para outros mercados. Antes de fechar negócio, vale confirmar com a concessionária qual bateria e qual autonomia elétrica correspondem exatamente ao modelo que está sendo adquirido.
Quanto custa e como se compara com os rivais no mesmo preço
O preço sugerido pelo fabricante para o BYD Song Pro 2026 é de R$ 189.800 na versão GL, conforme dados da Mobiauto e confirmados nas concessionárias BYD Viamar no ABC paulista, com ofertas a partir de R$ 179.800 em determinadas regiões. A tabela FIPE do modelo varia entre R$ 175.521 e R$ 178.541, segundo o portal NaPista, o que significa que o carro já tem uma referência de valor no mercado de seminovos relativamente próxima ao preço de lançamento, algo positivo para quem pensa em revenda futura.
Nessa faixa de preço, o Song Pro enfrenta uma competição consistente. O Toyota Corolla Cross Hybrid parte de valores semelhantes e oferece a tradição e a rede de assistência da Toyota, além do sistema híbrido pleno flex. O GWM Haval H6, também na mesma faixa, é outra opção de SUV médio chinês com versões eletrificadas. E o Jeep Compass e-Hybrid, embora use uma tecnologia híbrida diferente, carrega o apelo da produção nacional em Goiana (PE) e a rede Stellantis.
O argumento do Song Pro dentro dessa disputa passa por dimensões generosas: 4.738 mm de comprimento, 1.860 mm de largura, 1.710 mm de altura e 2.712 mm de entre-eixos, com porta-malas de 520 litros, segundo o Webmotors. São números que o colocam em um patamar de espaço interno próximo ao de SUVs médios convencionais, algo relevante para famílias que priorizam conforto nos bancos traseiros e capacidade de bagagem no dia a dia.
O design também é um ponto de diferenciação. A BYD adotou para o Song Pro uma linguagem visual inspirada em dragões, com detalhes esportivos no para-choque dianteiro e difusores de ar que conferem ao veículo uma aparência mais agressiva do que a geração anterior. A central multimídia giratória e o painel digital alinham o interior às tendências dos novos modelos chineses, que costumam oferecer tecnologia embarcada acima da média dos rivais na mesma faixa de preço.
Para quem percorre entre 40 km e 60 km por dia em ambiente urbano e tem possibilidade de recarregar o carro em casa ou no trabalho, o Song Pro entrega uma proposta genuinamente econômica no uso cotidiano. Com a bateria carregada, o gasto com combustível pode ser praticamente zero na maior parte da semana. O custo por quilômetro rodado na elétrica é significativamente menor do que qualquer motor a gasolina ou flex disponível no mercado, mesmo os mais eficientes. Esse é o argumento principal que a BYD apresenta, e é um argumento com base real.
A equação muda para quem percorre longas distâncias com frequência, usa o carro principalmente em rodovias ou não tem onde carregar a bateria na rotina. Nesses cenários, o híbrido plug-in funciona essencialmente como um veículo a gasolina eficiente, sem o benefício total que justifica o preço mais elevado em relação a um SUV convencional. A decisão de compra, portanto, depende menos da marca ou do design e mais de uma análise honesta sobre como e onde o carro vai ser usado nos próximos anos.
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Autor: Diego Rodríguez Velázquez