Na avaliação de Guilherme Campos, empresário do setor imobiliário e agro, falar em habitação acessível exige olhar além do preço do imóvel, já que uma moradia pode caber no orçamento de compra e ainda representar um custo elevado para quem depende de deslocamentos diários, precisa acessar serviços distantes ou enfrenta uma infraestrutura urbana deficiente.
Saiba mais a seguir!
O preço do imóvel não mostra o custo completo
Uma residência localizada distante dos principais polos de emprego pode apresentar um valor de aquisição menor, mas exigir mais tempo e dinheiro com deslocamentos. Quando o transporte coletivo é limitado ou as distâncias são grandes, despesas com combustível, tarifas, manutenção e estacionamento podem pesar no orçamento familiar. Em determinados casos, esses gastos recorrentes acabam reduzindo a economia obtida na compra ou no aluguel, especialmente quando o deslocamento precisa ser feito diariamente.
O problema também envolve o tempo. Horas gastas no percurso entre casa, trabalho, escola e serviços reduzem a disponibilidade para outras atividades e tornam a rotina mais dependente das condições de mobilidade. Assim, avaliar apenas o valor da parcela ou do aluguel oferece uma visão incompleta da acessibilidade da moradia. Segundo Guilherme Campos, a distância até os destinos mais utilizados, portanto, também deve entrar no planejamento, pois interfere diretamente na organização e nos custos da vida cotidiana.
A localização interfere nas oportunidades
A localização define mais do que o endereço de uma residência. Ela influencia a facilidade de chegar a escolas, unidades de saúde, comércio, áreas de lazer e locais de trabalho. O próprio Ministério das Cidades considera localização, acessibilidade, infraestrutura e acesso a serviços como dimensões relacionadas ao direito à moradia. Por isso, a proximidade desses recursos pode interferir diretamente na rotina dos moradores e na quantidade de deslocamentos necessários ao longo da semana.
Guilherme Campos observa que essa perspectiva também modifica a maneira como um empreendimento imobiliário pode ser pensado. Uma área aparentemente barata pode demandar investimentos adicionais em infraestrutura e gerar deslocamentos maiores. Em contrapartida, regiões urbanas consolidadas podem oferecer estruturas já existentes, reduzindo algumas dessas barreiras. A escolha do terreno, portanto, precisa considerar não apenas seu preço, mas também as condições do entorno e os custos necessários para conectar os moradores aos serviços essenciais.

Transporte pode mudar o valor real da moradia
Como destaca Guilherme Campos, não basta existir uma linha de ônibus nas proximidades. A qualidade da conexão com outras partes da cidade, a frequência do serviço e a possibilidade de integração com diferentes meios de transporte interferem diretamente na experiência dos moradores. Uma rede com poucas opções ou horários restritos pode tornar trajetos simples mais demorados e dificultar o acesso regular ao trabalho, aos estudos e aos serviços essenciais.
A Pesquisa Nacional de Mobilidade Urbana reúne dados sobre transporte público e deslocamentos justamente para apoiar o planejamento do setor. O estudo nacional conduzido pelo BNDES e pelo Ministério das Cidades também considera a necessidade de ampliar e integrar redes de transporte nas principais regiões metropolitanas. Essas informações ajudam a identificar padrões de deslocamento e necessidades de mobilidade, contribuindo para decisões que considerem a relação entre moradia, transporte e organização do espaço urbano.
Infraestrutura também entra na conta
Água, esgotamento sanitário, energia elétrica, drenagem, pavimentação, iluminação e coleta de resíduos não são elementos acessórios. Sem esses serviços, o imóvel pode estar formalmente construído, mas não oferecer as condições urbanas necessárias para uma vida cotidiana adequada. A ausência ou insuficiência desses recursos pode comprometer o conforto dos moradores, dificultar a mobilidade e aumentar a necessidade de soluções individuais para problemas que deveriam ser atendidos pela estrutura urbana.
Por isso, Guilherme Campos pontua que a expansão de novos bairros exige atenção à capacidade da infraestrutura existente e aos investimentos necessários para acompanhar o crescimento da ocupação. O Ministério das Cidades define o desenvolvimento urbano integrado justamente pela articulação entre habitação, mobilidade, saneamento, uso do solo e desenvolvimento econômico e social. Essa integração permite planejar o crescimento das áreas residenciais de maneira mais compatível com a demanda por serviços, evitando que a construção de novas moradias ocorra sem o suporte necessário para atender à população.
Para acompanhar outros conteúdos e perspectivas de Guilherme Campos sobre o setor, acesse o Instagram @guicamposvlg.