Fenabrave registra 1,17 milhão de motocicletas emplacadas entre janeiro e junho, enquanto o segmento elétrico se diversifica além das scooters de entrega.
O mercado brasileiro de motocicletas segue em ritmo forte em 2026. Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, o setor registrou 1.174.459 emplacamentos no primeiro semestre do ano, alta de 14,1% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram licenciadas 1.029.291 unidades. O resultado consolida um ciclo de crescimento que já vinha se desenhando desde os recordes de 2024 e 2025.
Um semestre histórico para as duas rodas
Mesmo com uma retração pontual de 1,79% em junho na comparação com maio, o desempenho acumulado do semestre mostra solidez no setor. A produção no Polo Industrial de Manaus, principal fonte de abastecimento do mercado nacional, segue acima de dois milhões de unidades por ano, sustentando a demanda interna que se mantém aquecida.
As projeções da Fenabrave para o ano completo apontam para cerca de 2,4 milhões de motocicletas vendidas em 2026, patamar que superaria as 2,19 milhões de unidades emplacadas em 2025. Se confirmado, o número reforça a moto como o principal meio de transporte individual e de carga rápida do país, à frente inclusive de outras categorias de veículos leves em volume de vendas.
O polo de Manaus também amplia sua relevância internacional. As exportações de motocicletas produzidas ali cresceram 18,6% no primeiro trimestre de 2026, sinal de que a fabricação nacional não atende apenas à demanda interna, mas também ganha espaço em mercados externos.
O motor por trás do crescimento: entregas e mobilidade urbana
Parte relevante da expansão do setor está ligada ao uso profissional das motocicletas, sobretudo em serviços de entrega e aplicativos de transporte, segmento que cresceu de forma consistente nos grandes centros urbanos brasileiros nos últimos anos. A busca por mobilidade individual mais barata em cidades com trânsito congestionado também segue como fator estrutural de demanda.
Esse cenário beneficia principalmente modelos de entrada e cilindradas baixas, historicamente os mais vendidos do país, mas também abre espaço para o crescimento acelerado de categorias que ainda representam fatia pequena do mercado total, caso das motocicletas elétricas.
As elétricas saem da entrega e ganham design e tecnologia
Os emplacamentos de motos elétricas cresceram 47,26% no primeiro trimestre de 2026, saltando de 3.453 unidades no mesmo período do ano passado para 5.085 unidades neste ano. Embora o segmento ainda represente menos de 1% do mercado total de duas rodas, o ritmo de expansão supera com folga o das motocicletas tradicionais a combustão.
O movimento também muda o perfil dos produtos oferecidos. Até pouco tempo, as motos elétricas no Brasil eram quase todas voltadas para uso utilitário em entregas, mas a categoria começa a se diversificar com modelos pensados para design e experiência de pilotagem, e não apenas para custo operacional baixo.
A chinesa Yadea, uma das maiores fabricantes globais de veículos elétricos de duas rodas, é um dos nomes que vêm ampliando presença no país, com produção local instalada em Manaus e expansão da rede de concessionárias. Entre os modelos estratégicos da marca está a Keeness, motocicleta elétrica esportiva voltada para deslocamentos urbanos que já recebeu premiação internacional pelo design, um indício de que fabricantes tradicionais e novas entrantes disputam cada vez mais esse nicho em ascensão.
Novas regras do Contran devem organizar o setor
Paralelamente ao crescimento do segmento elétrico, entram em vigor regras mais rígidas do Conselho Nacional de Trânsito para ciclomotores e bicicletas elétricas. Veículos com potência acima de mil watts e velocidade superior a 32 quilômetros por hora, incluindo scooters elétricas, passam a exigir registro para circular, além de licenciamento, emplacamento e porte de carteira de habilitação.
A expectativa do setor é que a exigência de itens de segurança e habilitação ajude a formalizar um mercado que, até recentemente, convivia com grande volume de modelos de baixa performance vendidos sem qualquer documentação. Na prática, isso deve retirar de circulação veículos irregulares e, ao mesmo tempo, atrair fabricantes de maior porte para um segmento que segue crescendo mês após mês.
Para quem pensa em comprar uma moto elétrica neste momento de transição regulatória, vale considerar que a formalização tende a elevar o custo de entrada de alguns modelos no curto prazo, mas também deve trazer mais garantias de suporte técnico e revenda no médio prazo, à medida que marcas maiores consolidam operação no país.
Fontes:
Canaltech | QG do Automóvel | Gazeta de São Paulo