De acordo com Tiago Oliva Schietti, a busca por alternativas funerárias mais sustentáveis, entre as quais os cemitérios ecológicos se destacam como a opção mais estruturada e juridicamente viável. Este artigo explora o conceito desse modelo, suas diferenças em relação aos cemitérios convencionais, os desafios de implementação e o que a legislação brasileira estabelece para quem deseja investir ou ser sepultado neste formato.
O que são os cemitérios ecológicos e como eles se diferenciam dos convencionais?
Os cemitérios ecológicos são espaços destinados ao sepultamento humano que priorizam a integração com o meio ambiente. Nesse modelo, urnas fabricadas com materiais naturais substituem os caixões tradicionais de madeira tratada, e os corpos são preparados sem o uso de substâncias químicas de embalsamamento que contaminam o solo e o lençol freático.
A diferença mais visível em relação aos cemitérios convencionais está na paisagem. Em vez de mausoléus, lápides de granito e canteiros impermeabilizados, os cemitérios ecológicos apresentam vegetação nativa, trilhas e áreas de preservação permanente.
Quais são os principais modelos de sepultamento ecológico disponíveis?
Tiago Schietti observa que o mercado funerário sustentável oferece diferentes abordagens, cada uma com características técnicas e culturais específicas. O sepultamento em floresta, também chamado de green burial, é o mais difundido internacionalmente e consiste no enterramento direto em área de mata nativa.
Outro modelo em expansão é o uso de urnas biodegradáveis com sementes, que transformam os restos mortais em substrato para o crescimento de uma árvore específica escolhida pelo falecido ou pela família. Há ainda técnicas emergentes como a compostagem humana e a aquamação, que aguardam regulamentação mais clara no Brasil, mas já movimentam debate técnico e legislativo relevante.

O que a legislação brasileira estabelece sobre cemitérios ecológicos?
A regulamentação dos cemitérios no Brasil é definida principalmente pela Resolução CONAMA 335 de 2003 e suas atualizações posteriores, que estabelecem critérios ambientais para o licenciamento e a operação de cemitérios. A norma exige estudo de impacto ambiental, análise do solo, distância mínima de corpos hídricos e controle do processo de decomposição para evitar contaminação.
Para Tiago Oliva Schietti, o marco regulatório brasileiro já oferece base suficiente para viabilizar cemitérios ecológicos, mas a aplicação prática ainda enfrenta resistência em municípios que mantêm legislações locais desatualizadas. A ausência de uma lei federal específica para sepultamentos alternativos cria insegurança jurídica para empreendedores e famílias que desejam optar por esse modelo.
Quais são os desafios para implementar um cemitério ecológico no Brasil?
Os principais obstáculos são de ordem burocrática, cultural e fundiária. Obter o licenciamento ambiental exige tempo, recursos técnicos e diálogo com órgãos estaduais e municipais que, em muitos casos, não estão familiarizados com o modelo. Além disso, a escolha da área precisa atender a critérios rigorosos de solo, topografia e proximidade com núcleos urbanos.
Tiago Schietti destaca que o fator cultural também pesa. A sociedade brasileira ainda associa o sepultamento a rituais que envolvem estruturas físicas permanentes, e a mudança dessa percepção exige educação, diálogo e exemplos concretos bem-sucedidos. Projetos que combinam cemitério ecológico com área de visitação, trilhas e programas de educação ambiental têm demonstrado maior aceitação junto às comunidades locais.
A viabilidade econômica dos cemitérios ecológicos é real?
Do ponto de vista econômico, os cemitérios ecológicos apresentam custos de implantação menores do que os convencionais, uma vez que dispensam grandes estruturas de concreto, sistemas de drenagem complexos e manutenção intensiva de jardins formais.
Para Tiago Oliva Schietti, o crescimento da consciência ambiental entre consumidores brasileiros representa uma janela real de oportunidade para esse setor. Famílias que já adotam práticas sustentáveis no cotidiano passam a considerar o sepultamento ecológico como uma extensão natural de seus valores, o que transforma uma escolha antes considerada alternativa em uma demanda de mercado concreta e crescente.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez