O viajante do mundo e ex-auditor, Alberto Toshio Murakami, apresenta que as cidades históricas e destinos turísticos consolidados dependem fortemente da atividade turística para movimentar a economia local, gerar empregos e atrair investimentos. Ao mesmo tempo, esse fluxo constante de visitantes impõe custos elevados de manutenção urbana, preservação do patrimônio e ampliação de serviços públicos. Equilibrar crescimento econômico e sustentabilidade fiscal é um dos principais desafios enfrentados por municípios turísticos, especialmente aqueles com forte valor histórico e cultural.
O turismo é capaz de transformar a realidade econômica de uma cidade, mas também cria dependência de uma atividade sensível a fatores externos, como sazonalidade, crises econômicas e mudanças no comportamento dos viajantes. Essa característica exige planejamento financeiro rigoroso e políticas públicas consistentes.
Entender essa dinâmica é fundamental para gestores públicos e empreendedores que atuam nesses territórios.
Como o turismo impulsiona a economia local?
A presença de turistas estimula uma cadeia ampla de atividades, incluindo hospedagem, alimentação, transporte, comércio e serviços culturais. Esse movimento gera empregos diretos e indiretos e amplia a arrecadação por meio de impostos e taxas municipais.

Segundo Alberto Toshio Murakami, em muitas cidades históricas, o turismo se torna o principal vetor de desenvolvimento econômico, atraindo investimentos privados e incentivando a formalização de pequenos negócios. Além disso, eventos culturais e festivais sazonais contribuem para manter o fluxo de visitantes ao longo do ano, reduzindo parcialmente os efeitos da sazonalidade.
Esse impacto positivo, no entanto, precisa ser acompanhado de políticas que garantam que os benefícios sejam distribuídos de forma equilibrada entre a população local.
Custos de preservação e pressão sobre a infraestrutura urbana
Ao mesmo tempo em que gera receita, o turismo aumenta significativamente a demanda por serviços públicos, como limpeza urbana, segurança, transporte e manutenção de vias e praças. Em cidades históricas, esses custos são ainda mais elevados devido às exigências específicas de preservação do patrimônio arquitetônico.
A conservação de prédios históricos, igrejas, museus e áreas tombadas exige investimentos contínuos, muitas vezes superiores à capacidade financeira do município. Alberto Toshio Murakami explica ainda que a adaptação da infraestrutura para receber grandes volumes de visitantes pode entrar em conflito com a necessidade de preservar características originais dos espaços urbanos.
Esse desequilíbrio entre arrecadação e despesas cria desafios importantes para a gestão fiscal e pode comprometer a qualidade dos serviços oferecidos tanto aos moradores quanto aos turistas.
Dificuldades de planejamento fiscal em economias dependentes do turismo
A dependência do turismo torna a arrecadação municipal mais vulnerável a oscilações externas, informa Alberto Toshio Murakami. Períodos de baixa temporada, eventos climáticos e crises sanitárias, por exemplo, podem reduzir drasticamente o número de visitantes e, consequentemente, a receita local.
Essa volatilidade dificulta o planejamento orçamentário de médio e longo prazo, levando muitos municípios a adotar estratégias reativas, baseadas em ajustes emergenciais de despesas. Em cenários assim, investimentos estruturantes em preservação e infraestrutura acabam sendo postergados, agravando problemas futuros.
A ausência de reservas financeiras e de mecanismos de compensação para períodos de queda no fluxo turístico aumenta a exposição fiscal dessas cidades.
Importância da gestão e da auditoria nas contas públicas locais
Diante desse cenário, práticas de gestão fiscal responsável e auditorias periódicas tornam-se instrumentos essenciais para garantir transparência e eficiência no uso dos recursos públicos. A auditoria permite identificar desperdícios, avaliar contratos de prestação de serviços e verificar se os investimentos estão alinhados às prioridades da cidade.
A adoção de mecanismos de controle e acompanhamento das contas públicas ajuda os gestores a tomar decisões mais informadas e a justificar políticas de arrecadação específicas, como taxas de turismo ou fundos destinados à preservação do patrimônio.
Tal como evidencia Alberto Toshio Murakami, a transparência na aplicação dos recursos fortalece a confiança da população e dos investidores, criando um ambiente mais favorável para parcerias público-privadas e projetos de revitalização urbana.
Crescimento turístico exige sustentabilidade financeira
O desenvolvimento do turismo só se mantém no longo prazo quando acompanhado de políticas fiscais sustentáveis e de planejamento urbano adequado. Investir apenas na promoção do destino, sem garantir recursos para manutenção e preservação, tende a gerar degradação dos espaços e perda de atratividade.
Tratar o turismo como política de desenvolvimento exige integrar estratégias econômicas, culturais e fiscais, com metas claras e mecanismos de avaliação contínua. Essa abordagem permite que as cidades históricas preservem seu patrimônio, mantenham qualidade de vida para os moradores e continuem atraindo visitantes de forma equilibrada, ressalta Alberto Toshio Murakami.
Ao reconhecer o turismo como motor econômico e, ao mesmo tempo, como fonte de desafios fiscais, gestores e empreendedores podem contribuir para modelos de desenvolvimento mais responsáveis e duradouros.
Autor: Malvern Quarys