O debate sobre segurança pública tem incorporado, nos últimos anos, a noção de governança como eixo estruturante das ações institucionais. Ernesto Kenji Igarashi, especialista em segurança institucional e proteção de autoridades, expõe que mais do que capacidade operacional, especialistas defendem que a previsibilidade, o controle de processos e a rastreabilidade das decisões são fatores determinantes para reduzir riscos e ampliar a legitimidade das corporações.
Nesse contexto, mecanismos de governança do uso da força passam a ocupar papel estratégico, ao estabelecer critérios claros de atuação, monitoramento e avaliação. Neste cenário, a consolidação desses mecanismos é fundamental para alinhar eficiência operacional e responsabilidade institucional.
Uso da força como política institucional, não decisão individual
Em estruturas modernas de segurança, o uso da força é tratado como uma política institucional, orientada por normas, protocolos e processos de supervisão. Essa abordagem busca reduzir a dependência de decisões isoladas e garantir que a atuação esteja sempre vinculada a parâmetros previamente definidos, apresenta Ernesto Kenji Igarashi.
Quando a instituição assume de forma clara a responsabilidade pelos seus protocolos, os agentes passam a atuar com maior segurança jurídica e técnica. Isso reduz ambiguidades, diminui conflitos internos e contribui para uma atuação mais consistente em diferentes cenários.
Da mesma forma, políticas bem definidas facilitam a capacitação contínua, pois permitem alinhar treinamento, avaliação e atualização de procedimentos a objetivos institucionais claros, e não apenas a demandas pontuais.
Rastreamento de decisões e fortalecimento do controle interno
Outro componente essencial da governança é a rastreabilidade das decisões. Registros adequados, relatórios técnicos e fluxos documentados permitem reconstruir processos, identificar falhas e promover correções estruturais, em vez de respostas isoladas a eventos específicos.

Tal como ressalta Ernesto Kenji Igarashi, o controle interno eficiente depende diretamente da qualidade desses registros. Sem dados confiáveis, torna-se difícil avaliar desempenho, revisar protocolos e aprimorar políticas públicas de segurança.
Esse tipo de monitoramento também favorece a transparência institucional, pois cria condições para auditorias mais técnicas e menos baseadas em interpretações subjetivas, fortalecendo a credibilidade das corporações perante órgãos de controle e a sociedade.
Padronização como base para responsabilização justa
A responsabilização é outro pilar da governança, mas sua efetividade depende de critérios objetivos de avaliação. Protocolos claros permitem diferenciar falhas sistêmicas de desvios individuais, o que contribui para decisões mais equilibradas nos processos administrativos.
Importa observar que, a padronização protege tanto a instituição quanto os profissionais, ao estabelecer expectativas claras de conduta e critérios técnicos de análise, visto que, isso reduz a percepção de arbitrariedade e fortalece a confiança interna nos mecanismos de supervisão.
Para além disso, Ernesto Kenji Igarashi, especialista em segurança institucional, expressa que processos de responsabilização bem estruturados geram informações valiosas para a revisão de procedimentos, criando um ciclo de melhoria contínua que beneficia toda a organização.
Governança e confiança pública
Do ponto de vista social, a governança do uso da força também influencia diretamente a percepção de legitimidade das instituições de segurança. Quando há clareza sobre regras, controles e consequências, a relação com a sociedade tende a se tornar mais transparente e previsível.
Segundo Ernesto Kenji Igarashi, políticas públicas que incorporam mecanismos claros de governança contribuem para reduzir tensões e aumentar a confiança da população, ao demonstrar que a atuação das forças de segurança está submetida a critérios técnicos e legais bem definidos. Essa confiança é essencial para a cooperação entre comunidade e instituições, elemento considerado estratégico para a eficácia de longo prazo das políticas de segurança.
Integração para o futuro
A consolidação de modelos de governança no uso da força representa um avanço institucional relevante para o setor de segurança pública. Ao integrar protocolos, registros, controle interno e responsabilização, as corporações criam um ambiente mais previsível, transparente e alinhado às exigências legais.
Conforme considera Ernesto Kenji Igarashi, esse conjunto de medidas contribui para reduzir riscos operacionais e fortalecer a legitimidade das ações institucionais. Em um cenário de crescente complexidade, a governança deixa de ser um conceito abstrato e passa a ser elemento central da estratégia de segurança pública.
Autor: Malvern Quarys