Conforme analisado por Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, a impermeabilização em estruturas enterradas é um tema que mistura desempenho, método executivo e previsibilidade, porque a água não respeita “boa intenção” de projeto, ela encontra caminhos. Em túneis, galerias, reservatórios, subsolos técnicos e caixas de passagem, a estanqueidade costuma ser a diferença entre um ativo confiável e uma rotina de correções que consome tempo, orçamento e reputação do empreendimento.
Nesse sentido, a impermeabilização não deve ser tratada como acabamento. Ela é parte do sistema construtivo, pois depende de detalhamento de juntas, preparo de substrato, sequência de execução e proteção mecânica. Assim, quando a obra antecipa esse raciocínio, reduz a chance de infiltrações recorrentes e de intervenções futuras em locais de difícil acesso.
A água como agente de falha, e não como evento pontual
Em estruturas enterradas, a presença de água raramente é episódica. O lençol freático pode variar, o solo pode conduzir umidade por capilaridade e a drenagem externa pode se comportar de maneira diferente em períodos de chuva. Dessa forma, confiar apenas em soluções genéricas costuma gerar surpresas, pois pressão hidrostática e microfissuras transformam pequenas descontinuidades em pontos de passagem.
Por outro lado, Elmar Juan Passos Varjão Bomfim frisa que o problema muitas vezes é atribuído ao material, quando a origem está no conjunto: juntas mal detalhadas, arremates apressados, passagens de tubulação sem tratamento adequado e regiões de transição sem reforço. Desse modo, a obra precisa olhar a impermeabilização como um mapa de riscos, identificando onde a água tende a concentrar esforço e onde a execução tende a perder qualidade.
Detalhamento de juntas e passagens, o lugar onde tudo se decide
Juntas de concretagem, juntas de dilatação e encontros entre elementos estruturais merecem um nível de atenção acima do comum, porque são regiões de movimento e de interface. Nesse sentido, a definição de perfis, waterstops, selantes e reforços localizados precisa dialogar com deformações esperadas e com o método de execução, evitando soluções que funcionam no papel, mas não se sustentam no canteiro.
Ainda assim, passagens de cabos, dutos e tubulações frequentemente viram o ponto frágil do sistema. Por conseguinte, o controle deve incluir gabaritos, preparação adequada do entorno, produtos compatíveis com aderência e cura, além de inspeção antes de fechar camadas. Logo, o custo de tratar essas regiões com rigor é menor do que o custo de reabrir, corrigir e testar novamente quando a estrutura já está em operação.

Sequência executiva e proteção, para não perder o que foi feito
A impermeabilização depende de sequência. Preparar o substrato, aplicar primer quando exigido, respeitar tempos de cura e executar testes em momento adequado são etapas que não admitem pressa. A partir disso, a obra ganha previsibilidade, porque reduz falhas típicas de interface, como bolhas, falta de aderência e descontinuidades em cantos e ralos.
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim elucida que mesmo uma aplicação correta pode ser danificada por tráfego, impacto e movimentação de materiais. Sendo assim, proteção mecânica e controle de circulação precisam entrar no planejamento, sobretudo em áreas de reaterro ou de passagem intensa de equipes. Assim, o canteiro evita perder desempenho por dano posterior, que costuma ser difícil de rastrear e simples de repetir.
Testes, rastreabilidade e manutenção como parte do desempenho
Testes de estanqueidade, verificações visuais orientadas e registros de execução funcionam como linguagem comum entre projeto, obra e operação. Nesse sentido, rastreabilidade por trecho, por etapa e por responsável facilita decisões quando surge uma dúvida, pois permite localizar causas prováveis e evitar correções amplas sem diagnóstico. Dessa forma, a obra transforma um tema tradicionalmente “oculto” em evidência técnica organizada.
Diante do exposto, Elmar Juan Passos Varjão Bomfim conclui que a impermeabilização em estruturas enterradas precisa ser tratada como sistema, com detalhamento, sequência, proteção e testes coerentes com o ambiente de exposição. Quando essas camadas de controle são levadas a sério, a estanqueidade deixa de ser sorte e passa a ser resultado de engenharia aplicada ao ciclo de vida do ativo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez